12 de fevereiro de 2021

No dia da comemoração dos 25 anos de união de um casal de amigos queridos, parei para refletir que há poucos meses passamos por um dos piores momentos de nossas vidas, comandado por um enigmático vírus.

Definitivamente, 2020 foi um ano para ser esquecido, e, por esta razão, não quero ingressar nos detalhes dessa viagem interminável, que mais pareceu uma obra cinematográfica, merecedora de um roteiro do Tarantino.

Infelizmente a viagem foi real e profunda. Não perdi amigos ou parentes, mas a sensação é a de que perdemos pessoas próximas e queridas. O Brasil ficou menor, e espero que os brasileiros tenham assimilado o estranho ensinamento.

Enfim, recuso-me a continuar com esse ‘revival’ de sofrimento, afinal, não esqueçam, hoje é dia de festa, de alegria.

Estou a caminho da festa, com a minha esposa, ambos mascarados.

Pois é, ainda me lembro do dia em que foram publicadas as novas regras do governo estadual, jocosamente denominados COR0NA LEI, que passaram a definir quais atividades e eventos que, obrigatoriamente, seriam realizados caso os envolvidos (fornecedores, colaboradores, convidados), todos eles, sem exceção, participassem devidamente paramentados.

Isso significa dizer, máscaras, para os convidados e empregados do Buffet, mesas confortavelmente separadas numa distância devidamente delimitada na lei, além de inúmeros outros protocolos sobre higiene e segurança do trabalho.

Antes do evento, fiz uma rápida busca ‘online’ para localizar empresas especializadas em customizar máscaras de segurança, enfim, optei por comprar uma preta e branca, estilo black tie, por somente 25 reais. Minha esposa, sem ostentação, pois agora isso virou sinônimo de desperdício, adquiriu outra que, segundo meu amigo de São José do Rio Preto, “ornou’ perfeitamente com o seu vestido.

Paramentados e, dentro do que é possível, felizes, participamos da celebração dos 25 anos de união de um casal querido.

Durante o evento, um dos convidados, de idade já um pouco avançada, sofreu um leve distúrbio e desmaiou. Tão logo recuperou os sentidos, foi imediatamente atendido por um bombeiro que estava no local e que levava consigo um ‘tablet’ conectado ao serviço do SAMU, sendo que o próprio médico lhe passava as orientações, enquanto o atendimento presencial não ocorria. Devidamente medicado, o SAMU chegou e, prontamente, o serviço médico foi executado com sucesso.

Confesso, fiquei surpreso. Pela primeira vez havia me deparado, tão de perto, com a telemedicina, inobstante isso já seja realidade em alguns serviços de emergência.

Antes de chegar em casa, minha esposa pediu que eu parasse numa loja de conveniência. Lá não havia ninguém em labor presencial, mas por conta de uma dúvida relativa à minha compra, consegui me conectar com um teletrabalhador, que estava à distância para tirar qualquer dúvida.

Tudo resolvido, hora de ir para casa.

Quando cheguei no meu prédio, fiquei feliz ao perceber que o novo sistema de segurança, cuja central de atendimento fica a quilômetros de distância, e que já havia apresentado problemas, funcionou perfeitamente.

É isso, pegamos carona com um implacável vírus que modificou nosso jeito de viver.

Menos contatos com pessoas, é fato.

Mais tecnologia, com certeza.

Aspectos humanos e sociológicos ainda em observação.

Assim, sem nenhuma certeza para onde isso tudo nos levará, permaneço embarcado e acreditando nesse movimento.

 

 

Luis Otávio Camargo Pinto

Sócio de Yarshell e Camargo Advogados

Presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – SOBRATT